quinta-feira, 5 de julho de 2012

A Musa

A Musa,que inspira meus tímidos cantos,
É doce e risonha,se amor lhe sorri;
É grave e saudosa,se brotam-lhe os prantos.
Saudades carpindo,que sinto por ti.

A Musa,que inspira-me os versos nascidos
De mágoas que sinto no peito a pungir,
Sufoca-me os tristes e longos gemidos
Que as dores que oculto me fazem trair.

A Musa,que inspira-me os cantos de prece,
Que nascem-me d'alma,que envio ao Senhor.
Desperta-me a crença,que às vezes 'dormece
Ao último arranco de esp'ranças de amor.

A Musa,que o ramo das glórias enlaça,
Da terra gigante - meu berço infantil,
De afetos um nome na ideia me traça,
Que o eco no peito repete: - Brasil!

A Musa,que inspira meus cantos é livre,
Detesta os preceitos da vil opressão,
O ardor,a coragem do herói lá do Tibre,
Na lira engrandece,dizendo: - Catão!

O aroma de esp'rança,que n'alma recende,
É ela que aspira,no cálix da flor;
É ela que o estro na fronte me acende,
A Musa que inspira meus versos de amor!
(Machado de Assis)

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